Alguns minutos de silêncio.

Nunca tive idolos intocáveis. Todas as pessoas que idolatro são aqueles que de alguma maneira fazem ou fizeram parte da minha vida. Pessoas palpaveis.
Não tenho idolos mas tenho sim ícones, alguns, diga-se de passagem. Alexander McQueen é um deles.
Alexander revolucionou a maneira de pensar em moda. Com uma geração enorme de estilistas americanos que tratam a moda como a grande maioria acha que a moda deve ser tratada (disposable) Alexander mostrou que a moda vem de dentro. A moda vem de feridas que nunca viram cicatrizes e que chegam a sangrar de tempos em tempos. Mostrou que moda é, sim, visceral e representa aquilo que existe no inconsciente daquele que a cria. A moda é uma valvula de escape aonde se pode depositar frustrações e angústias. A moda é paixão, e para se trabalhar com moda é necessario um amor sem explicação e sem dimensão. Dimensão, alias, era algo que não se encontrava no trabalho de Alexander. Ele estava sempre se empurrando mais e mais alem, quebrando paradigmas e surpreendendo a todos, mesmo os oponentes ao seu trabalho.
Alexander que me fez ir a Londres. O desejo de estudar na Central Saint Martins veio graças ao que conhecia do seu trabalho. Claro que “The brit pack” itself é maravilhoso, mas McQueen era extraordinário.
Ele me fez ver que a moda é SIM para ser levada a sério (ao contrario do que a maioria das pessoas acredita) e que a moda não é descartavel. Ela pode nascer da maneira mais diferenciada ou da maneira mais simples mas ela precisa ter alma, ela precisa ser real.
Eu, Cristiana, acho um perda terrivel para um mundo tão vazio e superficial que ainda encontrava em poucas pessoas a oportunidade de ir um pouco mais além.
Costumo dizer para os amigos que “nobody dies of a broken heart”. De um coração ferido talvez não, mas não posso dizer o mesmo de dois.
Alexander perdeu os dois amores de sua vida em um curto periodo de tempo.
Primeiro foi Isabella Blow, ela que o fez ser quem é e estar aonde está. Ela que lhe deu o nome Alexander McQueen, ou alguma vez você pararia para admirar o trabalho do “Lee”?
Isabella se matou em 2007.
No dia 3 de fevereiro foi sua mãe que o deixou.
Uma semana depois Alexander se enforcou. Parece que esse foi o seu passaporte para o paraíso. E lá ele vai poder descansar em paz com os grandes amores de sua vida, para todo o sempre.

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6 Respostas so far »

  1. 1

    jcasemiro said,

    post lindamente escrito!
    dá pra sentir seu coração… e espero que ele bata mais feliz em breve!
    um beijo!

  2. 2

    Bruna said,

    Queee lindo Crisss!!
    fiz meus minutos de silêncio lendo aqui.. é amor msmmm hein gata!!

  3. 3

    barbara said,

    è amiga… dureza mesmo… .dureza a morte dele, dureza a massa da chucraiada judieira com quem convivemos nesse meio… dureza tanta coisa… as vezes da um bodinho… uma vontade de ir vender bijuteria na praia… que triste…

  4. 4

    Angel B. said,

    To passada tmb. Manjo picas de moda, mas achava o trabalho dele uma pintura ! Artista nato !

  5. 5

    Love Hurts said,

    Pois, as vezes a dor se torna insuportavel a ponto da pessoa perder a motivacao, a vontade de viver. Pelo menos foi uma decisao q ele tomou, nao foi assassinado nem teve um freak accident. Entao, menos mal.

  6. 6

    Fiquei muito mal!! Alexander McQueen era um gênio, muito talentoso!! ❤
    Visita o meu blog, eu tbm fiz um post em homenagem a ele!

    Beijos


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